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Tecnologia barata 'desvia' sonho brasileiro no Japão
01/03/08 às 08:45 h


Quando um brasileiro fala que vai trabalhar no Japão, o que costuma vir à mente é que ele vai fazer uma boa economia e voltar com muito dinheiro no bolso. Mas, para quem pretende morar do outro lado do mundo, as novidades tecnológicas e o estilo de vida impõem problemas para encher o cofrinho.

 

Veja a cobertura completa do Centenário da imigração japonesa

 

Mais de 300 mil brasileiros escolheram o caminho de ir morar no arquipélago para, na maioria das vezes, trabalhar em fábricas. São os chamados dekasseguis (nome dado a quem deixa seu país para trabalhar temporariamente em outro). Entre eles, não é raro se deparar com alguém que está há anos no Japão sem ter conseguido fazer um pé de meia.

 

 A sedução da tecnologia barata

Foi o que aconteceu com Megumi Shibata, de 38 anos, que foi para o Japão há 17 anos com objetivo de guardar dinheiro e conhecer o país de seus avós e de seu pai.

 

Megumi já trabalhou com distribuição de alimentos, fábricas de tofu (alimento feito de soja), de macarrão, costurou cortinas, empacotou bolachas, fez inspeção de placas de computador, foi recepcionista e faxineira num motel. Em entrevista ao G1, por e-mail, ela disse que por um tempo ganhou bem e aproveitou para viajar. “Teve épocas em que juntei dinheiro, mas o sonho do consumo, de ter um som, uma TV, uma câmera digital, bateu mais forte.”

 

Mora no Japão? Conte ao G1 como é sua vida no arquipélago

 

Ela conta que teve tudo isso, mas precisou vender por estar desempregada e ter de pagar o apartamento. “Só sobrou o computador e a câmera digital.” Além de consumir tecnologias, Megumi gasta com o 'pachinko', um jogo de azar comum no Japão. Segundo ela, a ganância de ganhar mais em quatro horas no jogo do que ralando 12 horas numa fábrica atrai muitos para a prática.

 

Foto: Arquivo pessoal/Eduardo Kurioka
Arquivo pessoal
Eduardo Kurioka, que está no Japão há 10 anos (Foto: Arquivo pessoal/Eduardo Kurioka)

Eduardo Kurioka, de 26 anos e há 10 no Japão, conta que "gastar em celulares, computadores, som e outras tecnologias avançadas já é rotina na vida de muitos brasileiros que vivem aqui".

 

Kurioka, que atualmente vive na província de Nagano, afirma que as condições para quem trabalha no país estão mudando. "Hoje, há que se pagar mais impostos que antes." Mesmo assim, ele diz que pretende ficar no Japão até "ver que o Brasil esteja se tornando um país digno de se morar, com uma vida tranqüila e com possibilidades de se ter um bom carro e uma boa casa." 

 

 Perfil dekassegui

Em 2004, a Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD) fez uma pesquisa para definir o perfil do brasileiro que mora no Japão. O resultado apontou que a maioria é casada e que as razões principais para a ida ao país "estão ligadas ao mercado de trabalho e ao capital humano: desemprego, insatisfação com a renda, busca de oportunidades e obtenção de recursos para pagar os estudos."

 

De acordo com Elisa Massae Sasaki, especialista em dekasseguis, o principal atrativo para um brasileiro ir ao Japão é o fator econômico. "Lá você consegue juntar em um ano o que aqui se junta em cinco. Mesmo o mercado não estando tão bom como na década de 1990, esse ainda é um incentivo muito forte."

 

Segundo ela, hoje os brasileiros estão permanecendo cada vez mais no país, e por mais tempo. "O brasileiro vai se inserindo na sociedade japonesa, tendo mais contato, e há toda uma facilidade para conseguir bens de consumo duráveis, tecnológicos", afirma.

 

 Condições de trabalho

Em seu trabalho, a especialista brasileira Elisa Massae concluiu que a maioria das pessoas que vão ao Japão trabalha no setor manufatureiro e automobilístico - este último foi o que abrigou a maior parte das pessoas na década de 1990 e ainda hoje lidera as contratações. Eduardo Kurioka conta que logo que chegou foi empregado numa rede ferroviária. “Trabalhava dia e noite, dormia apenas duas horas.”

 

Na hora de procurar emprego, também há exigências rígidas, como afirma Megumi. “Outro dia liguei para uma fábrica à procura de emprego e eles me disseram que se eu conseguisse ler um livro inteiro em japonês poderia fazer uma entrevista lá.” Ela afirma que as ofertas são muitas, há muita rotatividade e que os homens geralmente ganham mais do que as mulheres.

 

Foto: Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Luiz Massao Matsubara mora em Kani, na província japonesa de Gifu (Foto: Arquivo pessoal)
 A dificuldade em voltar

Muitos dekasseguis brasileiros não desejam mais voltar ao Brasil ou não têm dinheiro no momento para retornar. Luiz Massao Matsubara, de 57 anos e há oito no Japão, diz que pretende ficar por lá mais dez anos para "aproveitar". "Só voltarei ao Brasil para não morrer no Japão", conta ele.

 

Matsubara diz que lá "voltou a viver, a ser gente". "E não tenho condições psicológicas para voltar, pois tenho trauma dos três assaltos que sofri no Brasil." Em termos financeiros, ele diz que para voltar precisaria juntar mais dinheiro, mas que conseguiria se manter.

 

Um outro ponto lembrado pelos brasileiros é a discriminação. "Já fui parada pela polícia na rua depois que um restaurante perto de casa foi roubado", diz Megumi Shibata. "Me perguntaram onde eu estava exatamente no horário desse incidente". Segudo ela, os amigos nipônicos a salvam nesses momentos. "Muitos deles não aceitam quando sou maltratada e até me pedem desculpas por isso", finaliza, dizendo que esse é um dos motivos que a fazem planejar ficar por mais alguns anos no país.

Fonte: G1 o Portal de Noticias da Globo


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