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Brasileiros são destaque no ‘Orkut dos artistas’
03/03/08 às 14:55 h


Quando o engenheiro de softwares turco Orkut Büyükkökten lançou o website que leva o seu primeiro nome, no início de 2004, ele ajudou a popularizar – especialmente no Brasil - o conceito de redes sociais on-line. Pois os brasileiros foram além. Após dominar o Orkut, onde respondem por mais da metade do tráfego, eles estão entre os destaques do Deviant Art, site que reúne fotógrafos, ilustradores, designers, poetas, diretores de filmes e desenhistas digitais em uma ampla comunidade.

Criado em agosto de 2000 nos EUA, o Deviant Art oferece a seus usuários a oportunidade de exibir em galerias individuais trabalhos artísticos de diversos tipos – de desenhos feitos com lápis de cor até gráficos vetoriais – para seus pares e até empresas interessadas em novos talentos. Também é possível interagir com os outros membros do site, fazendo comentários sobre o trabalho, freqüentando fórums de discussão e criando jornais eletrônicos.

Foto: Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Alexander Blagus e sua fotografia 'Brás in Red', vencedora de concurso no Deviant Art. (Foto: Arquivo pessoal)

Público para essa exibição virtual não falta. Segundo os administradores do endereço, eles recebem uma média de 29 milhões de visitantes únicos por mês, e chegaram aos 50 milhões de trabalhos publicados na semana passada. Para dar conta da demanda, o site mantém uma equipe fixa de aproximadamente 50 funcionários.

O faturamento da página vem de anúncios e de mensalidades pagas por uma parcela dos usuários. Sim, o Deviant Art tem todas as suas funções básicas gratuitas, mas é possível ter acesso a uma série de ferramentas extras - tais como a possibilidade de navegar sem as janelas de publicidade – com o pagamento de uma taxa mensal.

 

 Galáxia de talento

Dentro de todo esse universo de arte digital, várias estrelas são brasileiras. Uma delas é Cristiano Siqueira, ilustrador de 28 anos de idade que recentemente foi chamado pelos administradores do site de “um dos criadores de arte vetorial mais inventivos e habilidosos do Deviant Art”.

Foto: Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Nelson Balaban é um dos administradores da comunidade brasileira no site. (Foto: Arquivo pessoal)

“Conheci o endereço em 2004. Logo na primeira semana, tive um de meus trabalhos escolhido como destaque do dia, e ele foi exibido na página inicial”, relembra ele. Quando um trabalho vira “capa” do site – seja por ter recebido muitos fotos favoráveis de outros usuários, seja por ter sido escolhido por um administrador – ele recebe uma verdadeira enxurrada de visitas e, conseqüentemente, notoriedade para toda a galeria de seu criador. Depois de sua “estréia”, Cristiano já teve trabalhos escolhidos como destaque mais de 15 vezes.

A publicação de bons trabalhos no Deviant Art pode até gerar retorno financeiro. Isso inclui tanto a chance de mostrar talento para empresas quanto utilizar um dos recursos mais interessantes do site: o sistema de impressão. Qualquer pessoa pode encomendar a impressão de uma imagem da página em uma ampla gama de produtos como camisetas, cartazes, calendários, mousepads e até canecas. Os administradores se responsabilizam pela impressão e envio do material, e o autor da obra recebe uma porcentagem do valor da transação.

Foto: Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Guilherme Meneghelli e sua fotografia 'Sands', em preto e branco. (Foto: Arquivo pessoal)

No caso de Cristiano, ele consegue retorno usando ambos os sistemas. “Todos os meses ganho pelas impressões de alguns trabalhos meus”, revela. O dinheiro fica numa conta e pode ser retirada a qualquer momento. Através do endereço, ele também já realizou por encomenda trabalhos como o banner de um festival musical em Miami e o licenciamento da imagem usada por um grupo de teatro de Nova York para anunciar a peça Rei Lear, de William Shakespeare.

 

 Concurso

Outra estrela nacional no Deviant Art é o arquiteto de sistemas Alexander Blagus, de 29 anos, que tem a fotografia como principal paixão. Membro desde 2003, ele venceu em 2005 um concurso promovido pelo site na área de fotos com a imagem “Brás in Red” (confira acima) e se tornou conhecido entre os “deviants”, como são chamados os freqüentadores do endereço.

Para Alexander, o ponto forte do site é o feedback recebido dos demais usuários: “só me tornei o fotógrafo que sou hoje devido ao retorno que tive do meu trabalho inicial”. Alexander destaca também outro fator que diferencia o Deviant de outros serviços focados em fotografias, como o Flickr e os fotologs: o alto nível dos trabalhos publicados. “Conheci os fotógrafos que mais admiro hoje em dia no site”, afirma.

 

 Comunidade verde e amarela

Mas a presença dos brasileiros no Deviant Art inclui muitas, muitas outras pessoas. Há até uma comunidade dedicada exclusivamente ao Brasil no site. “Destacamos trabalhos que tenham o país como tema, além de organizarmos um jornal eletrônico e promovermos enquetes, concursos e até encontros entre os membros”, explica o designer gráfico Nelson Balaban, de 18 anos, administrador da comunidade.

Nelson, que também já conseguiu vender alguns trabalhos graças à exposição conseguida no site, ficou em primeiro lugar em um concurso para melhorar o design adotado pela página. Como prêmio, ganhou três anos de assinatura grátis. “Esse tipo de ação faz o usuário se sentir realmente parte de uma grande comunidade”, sustenta.


De fato, para Nelson, o recurso mais atraente do site é a interatividade. “Faço comentários, crio tópicos, voto e converso com os artistas que mais gosto, gente do mundo inteiro, com interesses parecidos aos meus”, afirma.

 

 Destaque na qualidade

Quem teve uma amostra da força dessa comunidade global é Guilherme Meneghelli, designer gráfico de 23 anos morador de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A partir de uma das suas 107 imagens expostas no site – uma fotografia em preto e branco que mostrava crianças de um assentamento de trabalhadores rurais sem-terra – teve a chance de conhecer o trabalho de um fotógrafo turco, que também tinha foco em questões relativas à reforma agrária. “Foi uma experiência muito interessante”, destaca.

Guilherme também se junta aos que defendem a qualidade como o principal diferencial do Deviant Art. “Claro que há trabalhos de diversos níveis, afinal é um site aberto para todos. No entanto, existem por lá vários artistas consagrados, que usam o endereço para expor seu material mais alternativo”.

Claro que nem tudo são flores. Os usuários ainda se queixam da falta de alguns recursos que poderiam melhorar a utilização do site. A maior queixa é a falta de mais recursos para controlar o roubo e a utilização indevida de seus trabalhos. Hoje a página permite a utilização de uma marca d´água (logotipo transparente colocado sobre a imagem), mas não possui um sistema de bloqueio eletrônico. “Já cheguei a descobrir uma ilustração minha sendo usada para promover carnaval em Portugal”, diz o “deviant” Cristiano Siqueira.

Fonte: G1 o Portal de Noticias da Globo


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Genilton
Ferreira
Administrador do site
e Redator