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O PT de Itabaiana: em números
14/09/07 às 07:07 h


almeidabispo.blogspot.com

A história eleitoral do PT, até onde pudemos recuperar-lhe começa com uma modesta votação para vereadores (não dispomos dos números) e de prefeito em 1982 alcançando 92 votos, ou seja, 0,65% do eleitorado(*). Em 1986 cravou 287 votos para deputado estadual; 660 para federal; 1946 para senador e 593 para governador. Não havia eleições para presidente da República na época.
Em 1989 o PT teve em Itabaiana para presidente da República – na primeira candidatura de Lula – respectivamente 3.207 votos ou 10,93% no primeiro turno; e 10.825 ou 37,35% no segundo turno contra Fernando Collor de Melo.
Para 1990 não conseguimos os dados, porém lembramos de passagem que não foram animadores e, em 1992, novamente manteve-se a tradição de pouca votação. Em 1994, mesmo no calor do acordo com a ala de Luciano Bispo de Lima, os candidatos do PT não foram lá grande coisa. Explica-se, porém, porque naquela ocasião houve uma somação de forças que tinham como focos para deputado estadual o próprio Luciano e para federal José Queiroz da Costa. Os candidatos do PT somaram: estadual, 311 votos; federal, 593 votos e senador onde José Eduardo Dutra 11.992 votos, quase 35% do total.
Em 1996 os resultados de 1994 fizeram efeitos e o partido elegeu pela primeira vez um seu representante à Câmara Municipal com 1.044 votos, a maior votação individual até hoje obtida por um candidato do PT em eleição municipal.
Em 2000, o partido pareceu crescer. Tudo se encaminhava para uma consolidação do tão famoso terceiro lugar. Todavia, mudança de ventos, levou o potencial candidato e liderança Olivier Chagas a desistir de concorrer ao cargo de prefeito quebrando a reeleição de João Cândido e talvez a eleição do terceiro colocado da fila Erotildes de Jesus. Possivelmente Olivier teria amargado a derrota, e era quase certa a vitória de Maria Mendonça ao invés de Luciano Bispo, porém, o PT sairia fortalecido e o próprio Olivier teria uma cadeira garantida na Assembléia Legislativa já em 2002 e, se não em 2004, mas agora em 2008 seria com certeza páreo duro na disputa municipal. Resultado de 2000: a maior votação que o partido teve no plano municipal, mas não elegeu ninguém. Sou de opinião de que tal mudança de foco ofuscou até os dias atuais o brilho de uma liderança petista de peso maior e em 2004 veio a resposta: mesmo coligado com a candidata vencedora para a Prefeitura, o único candidato do partido sequer chegou ao nível do segundo lugar de 2000, obtendo apenas 738 votos. Um detalhe importante é que agora a bancada na Câmara havia murchado e até campeões de votos de outros partidos ficaram de fora.
De certa forma o PT sequer chegou ainda ao nível do velho MDB antes que lhe acrescentassem um “P” inicial.

Continua o artigo de Almeida: PT Estrangeiro

Fechando essa série, ao analisarmos os números do PT percebe-se que o grande problema local é de liderança ou de confiabilidade nela, entretanto essa mesma característica acaba por contaminar as votações de nível estadual.
O arranque do jovem advogado Olivier Chagas em 2000 poderia ter preenchido essa lacuna. O momento era extremamente propício. Havia um cansaço com a administração municipal de então e um clima de “Lula vem aí” em todo o país. Por outro lado a oposição de então, hoje no governo municipal, ainda tinha marcas do passado político impressas na maior parte da comunidade que a rejeitava como novidade. Apenas os mais jovens, que não vivenciaram a política dos anos 70 e os partidários fiéis da família Teles de Mendonça lhe viam como a opção ideal. A parada seria dura, especialmente porque qualquer político sergipano com juízo na cabeça busca a todo custo se livrar de encrenca em Itabaiana e, se impossível de fazê-lo, deve erguer um muro de cem metros de altura no Vaza-Barris para que a mesma não chegue ao Lagarto. A história sergipana mostra que quem negligenciou isso se deu mal. Simão Dias e seus herdeiros – da Itabaiana ou do Lagarto, além do Caiçá – não esquecem 1656. Logo, era certa uma forte intervenção do governo estadual como de fato houve.
O vereador João Cândido, por sua vez, se perdeu ao defender com justiça, porém de forma inábil, seus pontos de vista na Câmara. Serviu então apenas de gancho para a então oposição ao também então prefeito Luciano Bispo. Pior: passou a imagem de traidor já que traidores são todos aqueles que mudaram de posição ou pareceram mudar e perderam. Tivesse o Brasil nordestino permanecido holandês Calabar seria o herói nacional, “covardemente estrangulado pelos malditos portugueses.” Resultado da cruzada cândida: trabalho brilhante que não ajudou em absolutamente nada. Pelo contrário. O vereador esqueceu algo vital em política: a estratégia. Acabou por sair do partido deixando-o mais reduzido ainda.
Quando se observa a votação local do PT depreende-se que o partido não tem chances no certame municipais. Todavia, quando entram em cena os atores do mesmo partido, porém que operam fora do município a história começa a mudar e o partido melhora bastante sua performance em Itabaiana.
Na primeira eleição para governador em 1982 o PT conseguiu em Itabaiana 106 votos. Em 1986, porém, esse número já crescia para 593. Mas o que impressiona na votação petista em Itabaiana é a votação para o parlamento, para deputados e senadores. Em 1982 o professor José Costa Almeida obteve 83 votos para a Assembléia Legislativa e o jovem Marcelo Deda Chagas obteve apenas um voto somando 84 votos. Mas em 1986 o próprio Deda cravou 266 e Marcelo Ribeiro 21. Em 1990 um desastre: Ismael apenas 22 e Renatinho 21. Em 1994 ocorreu um fato inédito no PT itabaianense. O partido que no Estado até então havia concorrido sozinho firmou acordo com uma frente que levou Jackson Barreto à cabeça de chapa. Em Itabaiana não houve espaço para os candidatos do partido porque a frente incluía as candidaturas de Luciano Bispo de Lima à Assembléia Legislativa e de José Queiroz da Costa à Câmara Federal. A votação petista, portanto, foi pífia como já esperada. Em 1998 a votação é puxada por Antonio Samarone, itabaianense radicado na capital com 311 votos, seguido de Isaias e Ismael, todavia, o que lavou a honra do partido foi o voto de legenda em número de 226. Ficou óbvio que o pequeno eleitorado fiel ao partido não acreditou nos candidatos. Em 2002 o partido atinge o ápice na sua luta eleitoral para Assembléia Legislativa: 1.292 votos. Destes, 849 dados a Olivier Chagas que obtivera nas eleições municipais de dois anos antes 853 votos para vereador, ou 0,09% do eleitorado de então.
Em 2006 caiu a votação para Assembléia Legislativa em relação a 2002. Foram 1.176 votos no total, com 340 votos para Ana Lúcia e 310 para Rogério Carvalho; e mais alguns pingados para outros quatro ou cinco candidatos do partido. Detalhe interessante: continua a faltar nomes já que dos 1.176 votos, 525, ou seja, mais de 44%, quase metade, foram dados à legenda.
Para Deputado Federal o partido não teve votos em Itabaiana em 1982. Em 1986, obteve sua primeira boa votação com 660 votos. Em 1990, mais uma vez não foi votado para federal em Itabaiana. Já em 1994, mesmo com a votação sendo conduzida para o acórdão com Luciano e Queiroz a sigla ainda tingiu 593 votos. Em 1998, correndo sozinho obteve 2409 votos contando para isso a performance de Marcelo Deda Chagas que obteve sozinho 2.089. Ainda houve 245 votos de legenda e mais alguns para outros candidatos do partido. Mas o grande ano do PT em Itabaiana para deputado Federal foi 2002 quando o partido obteve 3.001 votos, destes 1.681 ou 56% para Antonio Samarone, 254 para a legenda e os demais repartidos entre os demais candidatos do partido. Em 2006, como para deputado estadual, a votação caiu também para federal em relação ao 2002. Foram 1488 votos com 298 de legenda, ou seja, 20% e o mais votado foi Nilson Nascimento com 536 votos.
Conclui-se, portanto, que a característica básica da política tradicionalista, ou seja, o continuísmo, jamais irá abrir as portas em Itabaiana a um partido que não demonstre sua viabilidade e isso, somente ocorrerá, ou com uma mudança profunda na tradição política local; ou no aceite do jogo pelo PT e sua automática conversão ao velho estilo ibero-americano chamado ora de caudilhismo, ora de coronelismo.Vem daí esse lado de mais apostar “nos de fora”, nos que têm chance. Essa melhora eleitoral. Logo, a baixa densidade eleitoral do PT em Itabaiana não é apenas causada pela ideologia do partido. E sim pela característica de competitividade, às vezes extremada, do povo da terra.

José de Almeida Bispo é radialista, publicitário, webmaster e pesquisador



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