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Correio Braziliense entrevista Almeida Lima, que fala sobre o PMDB de Sergipe
17/09/07 às 08:34 h


O senador Almeida Lima (PMDB-SE) desfila com ar de vitorioso pelo Senado desde a última quarta-feira. Não esconde a satisfação pela absolvição do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Famoso por se envolver em confusões parlamentares, ele refuta a fama de “folclórico”. “Não rejeito confusão. Não saio da frente. Se aparecer, não posso fugir. Tenho que manter posição”, afirma, pronto para entrar em outra briga: a defesa do voto secreto, no momento em que os e-mails dos senadores estão abarrotados de mensagens de protesto pela absolvição de Renan. “Sessão secreta, eu sou contra. Mas voto secreto, em casos de perda de mandato, tem que ser mantido. Afinal, é uma decisão de consciência”, diz ele, certo de que Renan seria cassado no voto aberto.

Integrante da oposição, Lima passou para o lado de Renan durante a crise e nega que tenha interesses políticos em ter o apoio dele para sua candidatura à prefeitura de Aracaju em 2008. Essa aproximação transformou o sergipano num dos três relatores do processo contra Renan no Conselho de Ética, no qual o presidente do Senado foi acusação de receber ajuda de um lobista para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos. Lima saiu do conselho derrotado, mas, no plenário, graças ao voto secreto, prevaleceu a tese de Almeida Lima sobre a inocência do senador. O parecer dos outros dois relatores, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), foi rejeitado. No dia seguinte, Lima recebeu o Correio para a seguinte entrevista:

 O que levou o senhor a entrar com tanta disposição e energia nesta luta pró-Renan?

Essa luta foi conseqüência do procedimento processual. Essa não era minha energia no começo. Eu fui apreciando as provas e não acho correto levar um membro do parlamento à forca sem culpa. Não é correto demitir uma pessoa injustamente. É o maior dos pecados.

O Renan é um político honesto?

Não posso chamá-lo de desonesto. Para mim, ele é inocente. Até que alguém venha e prove o contrário. A partir deste instante, eu me dobrarei. Até fazer essa prova, não posso tratá-lo dessa forma. O meu relatório não foi da vida de Renan Calheiros. Estava em julgamento um fato da vida política de Renan. Nada além disso.

Quem salvou Renan?

Não vi o voto de ninguém. O meu sentimento é que quem mais ajudou foi o PMDB, o DEM e o PT. De todos, quem menos ajudou foi o PSDB. Mas ajudou.

Se o voto fosse aberto, o Renan seria absolvido?

Acho que ele poderia não ser absolvido.

E sessão secreta na votação da cassação de Renan, o senhor concorda?

Isso é esdrúxulo, surrealista. Eu acho isso uma coisa esquisita. Mas, lamentavelmente, está no regimento.

O senhor defende a mudança?

Sim. Já sobre o fim do voto secreto, fui a favor. Hoje não sou mais. Passei a entender que as leis não são feitas para atender a indivíduos, a pessoas. Em se tratando de processo legislativo, para uma sociedade, o voto tem que ser aberto. Mas, quando se tratar de uma decisão de consciência, foro íntimo, não envolve processo legislativo, tem que ser secreto.

O senhor anda de cabeça erguida nas ruas?

Não ando com nariz arrebitado. Mas com ele na posição normal. Eu caminho em Brasília e não tenho problema. Eu recebo cumprimentos. E é trabalho perdido tentar criticar, me agredir. Se tentar me agredir, vou responder no mesmo plano. Não vou levar agressão para casa de jeito nenhum. Mas não costumo ouvir esse tipo de coisa.

Em alguns momentos, senadores da oposição ironizaram sua postura, com deboche, como o presidente do PSDB, Tasso Jereissati. Isso lhe incomoda?

Não fere meus brios. Não me deixa, do ponto de vista psicológico, incomodado. Do ponto de vista político, sim. Não tinha visto naquele momento as palavras que ele (Tasso) usou. Tinha visto a postura autoritária de bater na mesa. Mas depois que vi os comentários dos jornalistas, pedi para minha assessora separar o material. Entendi que só devo ver isso após o processo. Não vou misturar aquele fato com as questões de Renan Calheiros. E vou analisar com a consultoria.

Então, não está descartada uma representação contra o Tasso?

Nada está descartado.

Foi o termo "boneca", usado por ele, que lhe incomodou?

Confesso que foi o que menos incomodou. O que mais incomodou foi dizer que sou vendido. E, depois, palhaço. Porque nunca fiz palhaçada. Até porque sou considerado chato. Essa história de boneca, eu olho para mim e vejo: não cabe em mim, não.

O senhor sempre está envolvido em alguma confusão no Senado. Se considera um senador folclórico?
Nem um pingo. Nada de folclórico. Todos os temas que trato retratam de seriedade. Não rejeito confusão. Não saio da frente. Se aparecer, não posso fugir. Tenho que manter posição.

Dizem que o senhor defendeu Renan porque quer o controle do PMDB em Sergipe, já que é candidato à prefeitura de Aracaju no ano que vem. Está em jogo isso?

Não. Há o pedido de dissolução do PMDB de Sergipe, proposto por mim, muito antes do processo contra Renan Calheiros. Eu apresentei o pedido de dissolução no dia 3 abril. Eu tenho um manifesto assinado por todos os senadores em apoio ao meu pleito, menos pelo senador Renan Calheiros. Porque ele não quis assinar. Alegou que era presidente do Senado. Ele foi candidato à reeleição e não votei nele. Não tenho nenhuma história com ele.

O senhor faria um acordo para ter apoio do governador Marcelo Déda em Sergipe?

Não, eu agradeço. Aceito o apoio de quem votou nele. Mas não subirei no palanque dele. Marcelo Déda tem um perfil político completamente diferente do meu. Não digo que ele é corrupto, mas foi conivente com a corrupção.

Qual sua posição sobre a prorrogação da CPMF?

Não tenho. Nesses 100 dias de Renan Calheiros, não deu tempo de pensar em nada.

Renan está em dívida política com o senhor?

Em hipótese nenhuma. Não fiz nada de pessoal para o senador Renan. Fiz para um senador e uma instituição. Não cassaria sem provas nem a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), porque foi a única senadora nesta Casa com quem tive coisas horrorosas. Eu não cassaria aquela mulher. Às vezes, ela passava no corredor e eu também. Eu então fingia que estava falando ao telefone.
É normal um senador usar um lobista como intermediário de pagamento de despesas pessoais?

Eu acho errado usar um lobista. Mas, no caso do Renan, não se aplica. O rapaz (Cláudio Gontijo) não é lobista. Ninguém fez prova de que ele seja lobista. Qual a vida pregressa dele? Ele já foi corrompido ou corrompeu alguém? Esse cidadão nunca teve o rótulo do lobista. Cláudio Gontijo é amigo pessoal de Renan. Se ele colocasse um funcionário, seria quebra de decoro. Estaria misturando público com privado. Ele poderia ter nomeado Mônica Veloso (com quem Renan tem uma filha de três anos) para algum cargo no Senado. Ele não fez assim. Renan, para mim, é inocente.

Fonte: Correio Brasiliense



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