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O POLÍTICO CORROMPE O POVO OU O POVO É QUE CORROMPE O POLÍTICO?
16/11/07 às 07:15 h


Creio que alguns já devem ter se perguntado o motivo deste jornalista escrever quase que exclusivamente sobre política. Na verdade, além de gostar da área, costumo tentar escrever coisas produtivas, que possam auxiliar as pessoas no dia-a-dia e que causem reflexões. Mesmo sabendo que alguns leitores deste espaço não têm muito interesse pelo assunto e que na maioria das vezes nem abrem os textos para ler, continuo nesta ‘peleja’ por entender que determinadas pedras carecem de lapidação. Para tanto, tento adotar uma linguagem bastante clara nos textos que escrevo, a fim de torná-los acessíveis também para quem não tem o hábito de ler sobre o tema e ao mesmo tempo causar uma certa empatia que possa atrair (principalmente os mais jovens) a refletir sobre Política.  Pois bem, deixando de lado o blá blá blá incial, vou tentar fazer uma reflexão sobre algo que me incomoda já faz algum tempo. São aquelas coisas que (creio eu), quase todo mundo tem: Pensamentos, idéias, inquietações que geralmente permeiam nossa cachola e que dificilmente externamos. Resolvi quebrar a regra: Vou contar!  Desde que ‘me conheço por gente’ (essa é uma expressão bem popular – mas é a pura verdade e não encontrei nenhum outro termo que a substitua a altura). Então vamos lá: Desde que me conheço por gente, ouço diversas histórias sobre política, mas uma delas é a que mais me incomoda. Sempre que as eleições estão se aproximando (principalmente as municipais), o assunto que inicialmente toma conta das discussões, como não poderia deixar de ser, é sobre o melhor nome para ser prefeito(a) e vice. Em geral são os dois principais grupos que iniciam a disputa nos bastidores, disputa esta que é acirrada pelo debate entre os diversos correligionários sobre qual grupo tem mais chance de sagrar-se vitorioso. Até aí nada de anormal. No entanto, quando se comenta sobre o ‘perfil’ de quem deverá participar da disputa, a coisa começa a mudar. É entristecedor observar que o critério de escolha dos nomes passa inicialmente pela questão econômico/financeira. E isso não é algo restrito aos líderes políticos não. Na verdade este é o som que ecoa na sociedade de um modo geral (estudantes, agricultores, funcionários públicos, desempregados, empresários, autônomos). Basta alguém comentar sobre determinado nome, que logo se ouve o comentário: Este(a) não dá certo, pode até ser competente, mas não tem dinheiro! Quanto àquele(a), tem dinheiro, mas não tem coragem de gastar. Agora,’aquele(a)’ sim, tem como bancar a campanha, afinal, sem dinheiro não adianta nem entrar. “O povo agora está sabido, não vota de graça em ninguém mas não.”     - Que atire a primeira pedra quem nunca fez ou escutou este tipo de comentário. Aqui cabe ainda outra reflexão: O povo é que corrompe o político ou o político é que corrompe o povo? Bem, se você perguntar a um político, provavelmente ele irá lhe responder que já está sem dormir direito pensando em como conseguir dinheiro para comprar tijolos, areia, cimento, pneu de moto, além de reservar uma parte para aqueles tradicionais talões de água e energia (que por incrível que pareça, sempre estão sujeitos a corte na época da eleição). Isso sem falar nas chamadas ‘ajudas’ para as coisas mais diversas possíveis: “Tô precisando terminar o banheiro da minha casa” – E eu, a minha prima fez uma cirurgia e ficou sem trabalho com os 3 filhos lá em casa. Isso sem falar nos botijões, que também, por incrível que pareça, teimou em secar justamente no dia em que aquele político teve lá em casa pedindo voto. Mas, se você fizer a mesma pergunta a um popular eleitor, provavelmente ele lhe dará uma resposta sem pestanejar: Se eu não pegar, os outros pegam, e no fim das contas, políticos são todos ladrões mesmo, não vão nem olhar pra mim depois que ganhar, pelo menos, peguei minha parte! Que compromisso com a cidade tem um político que compra os votos para se eleger? Que legitimidade para cobrar dos políticos tem um eleitor que vendeu o voto? Não cabe aqui chegar a uma resposta inconteste sobre o que teria provocado o atual quadro de promiscuidade na relação entre políticos e eleitores. É certo que o Judiciário precisa atuar mais, a fim de coibir o poder econômico nas campanhas, punindo não apenas quem compra, mas também quem vende o voto. Também deve-se salientar a necessidade urgente de uma reforma política que implemente dentre outras coisas, mecanismos que diminuam a influência econômica nas eleições (financiamento público de campanhas e voto facultativo são ao meu ver itens importantes a serem implantados). Devemos lembrar que o Judiciário somos nós, os políticos somos nós, os eleitores somos nós, enfim, o povo somos nós, portanto, o problema é nosso e a solução também! Basta votar com consciência cívica. E não tente me convencer que isso só ocorrerá após uma revolução educacional, pois, mesmo sabendo a importância da educação na formação de uma pessoa, entendo que a questão do Brasil passa por ‘valores’! Essa idéia de ‘não tô nem aí’ é comodismo, uma escolha errada acaba refletindo em prejuízos futuros que não poderão ser questionados. Seria hipocrisia de minha parte achar que alguém que recebe R$ 20 por semana para sustentar uma numerosa família e que por vezes ver faltar comida para os filhos, deixaria de receber dinheiro de um político, afinal, o instinto de sobrevivência do ser humano fala mais alto nessas horas, mesmo não concordando com aquilo. Agora, enquanto cidadãos e autoridades continuarem fechando os olhos para essas questões, fazendo de conta que não existem, o círculo vicioso continuará, afinal, como já cantou Luiz Gonzaga: Uma esmola para o homem que é são, ou o mata de vergonha ou vicia o cidadão!

 

Ademario Alves - Jornalista

emcarira.com.br

 

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